Natureza, história e arte

28/02/2019

Esta exposição virtual tem como objetivo mostrar como os seres humanos retrataram o mundo natural em suas manifestações artísticas visuais ao longo do tempo. A reprodução das obras tem como propósito apresentar a arte como uma fonte histórica para conhecer o passado. Isso nos permite refletir sobre a importância de voltarmos nossa atenção para a natureza, reconhecendo-nos como parte dela.

A exposição é organizada pelo professor Wesley Kettle e produzida pela Turma 2017 do curso de História da Universidade Federal do Pará / campus Ananindeua como forma de compartilhar os resultados da disciplina 'Ensino de história e educação ambiental'.

Divino Gato

A mumificação de animais foi uma prática comum no Antigo Egito. A obra mostra a cena de um gato sendo adorado por uma sacerdotisa. Segundo as crenças egípcias, a morte consistia em um processo onde a alma se desprende do corpo, acreditavam como sendo a passagem de mudança para outro plano espiritual. Espécies que ajudavam os humanos poderiam ocupar o lugar de divindade, os gatos se alimentavam de ratos evitando que atacassem as plantações. O altar está coberto com estatuetas urnas adornadas por flores frescas como a Lótus que simbolizava a vida após a morte.

´Exequias de un gato egípcio', óleo de John Reinhard Weguelin, 1886. Coleção Mackelvie Trust, galeria de arte de Auckland Toi o Tamaki. 

Animais nos Vasos Gregos

Na primeira fileira do vaso vemos a cena da caça ao javali, que foi enviado por Ártemis (deusa da caça) para devastar Calidão (Oeste); a pele e os dentes do animal seriam o prêmio para o caçador que o capturasse. Na base, observa-se a batalha dos pigmeus contra as garças; trata-se do mito de um pigmeu transformado nessa ave e que retornou ao encontro do seu povo, o que gerou uma guerra de motivo desconhecido. Encontram-se no vaso também outras representações da relação entre gregos e outros animais. De origem etrusca, o vaso é considerado um exemplo de cerâmica grega. Durante o período da Grécia Antiga (1100 a.c - 146 a.c) vasos como esse possuíam diversas utilidades no cotidiano. A partir do século VIII começaram a ser decorados com figuras humanas e do mundo natural, retratando sua cultura e nos permitindo identificar a fauna grega.

Vaso François. 570-560 a.C. Cerâmica de figuras negras. Museu Arqueológico Nacional de Florença.

A Natureza na Arte Islâmica

A cena em que um leão ataca o cavalo vermelho Rakhsh é inspirada no livro "O Shahnama", obra do século XVI. A fera se aproveitou da vasta floresta para chegar perto da vítima sem ser percebido. O episódio retrata a viagem de Rustam, um guerreiro que pretende salvar a vida do rei, mantido em cativeiro por um demônio. A descrição de paisagens naturais chegou ao Oriente Médio após as conquistas mongóis, eles trouxeram a influência da arte chinesa e a percepção da natureza do extremo oriente. O universo, o sol, a lua, as florestas, os pomares e os outros seres vivos seriam criações divinas segundo o Alcorão, gerados igualmente para se manter em equilíbrio e sintonia (mizan); Os seres humanos não seriam "donos" da natureza, mas iguais perante Allah (Deus), e responsáveis (khalifa) pela preservação das outras vidas. O Islamismo, religião fundada pelo profeta Muhammad (570-632), defende valores como ética, paz e harmonia.

Sleeping Rustam. 1515-1522. Sultan Muhammad. Museu Britânico.

A Natureza no Calendário Medieval

Demonstra as concepções de tempo do século XIV, cada gravura representa um mês do ano, indo de janeiro a dezembro. Cada mês simboliza as mudanças naturais do ambiente e o ritmo de trabalho desempenhado pelo camponês, tais como arar a terra, plantar, colher, moer os grãos e matar animais para consumo. O desempenho agrícola do feudo só é efetuado em consonância com o meio ambiente. É ilustrado o uso de animais no arado e a natureza como provedora das condições para sobrevivência dos seres, como também é esboçado a utilização em grande escala dos recursos naturais. Os seres vivos não criam as estações do ano, eles se adequam ao meio natural em que vivem para que dele venham usufruir.

Calendário agrícola. 1306. Pietro de Crescenzi. Museu Condé, Chantilly, França.

Animais exóticos na renascença

O rinoceronte é uma espécie originária da África e da Ásia, sofre com a caça predatória realizada pelos seres humanos em razão do alto valor do seu chifre. A representação desse animal se originou pelo fascínio do seu aspecto peculiar. O bestiário era uma espécie de catálogo desses animais considerados exóticos para a sociedade da época. Tal registro foi influenciado pelo conhecimento do mundo natural encontrado na Bíblia e em outros textos sagrados. Os animais eram trocados como presentes entre a nobreza e depois apresentados em desfiles ao povo em geral.

Rinoceronte. 1515. Albrecht Durer. Museu Britânico.

A natureza no período colonial

H árvore cortada é uma bananeira com cachos, espécie originária do sudeste asiático, onde através da expansão do Islã fora levada até o continente Africano e trazida ao território brasileiro pelos portugueses. Ao fundo há uma ideia de reorganização do meio ambiente onde agora a um plantio de árvores frutíferas e criação de gado. O sapo exposto na obra representa a fauna tropical brasileira. Ao lado esquerdo da Índia notamos uma cabaça em suas mãos, fruta muito comum na mata atlântica e usada como recipiente para água.

Índia tupi. 1641. Albert Eckhout. National Museet, Copenhague, Dinamarca.

Natureza e Arte Contemporânea

A natureza é representada pelas árvores, o mar, o trovão e o animal, que permiti uma análise crítica do público no aspecto da subjetividade, retratada no ato violento contra o veado com rosto humano. Cores vibrantes marcam a obra na autenticidade e inovação, impressionando pelos traços fortes que possibilitam a dramaticidade e compara a dor do animal flechado a própria dor humana. A pintora é reconhecida por usar em suas obras diversos aspectos do mundo natural, os quais possibilitam a reflexão de uma consciência ambiental. 

O veado ferido. 1946. Frida Kahlo.